
A um ritmo lento e compassado escrevo musica com meus pés na calçada
Vou desenhando a letra no meu respirar e vou-a cantarolando para dentro...
Vai passando gente estranha e que me estranha...
Olham-me de soslaio franzindo o sobrolho com ar de espanto
Perdem 30 segundos do seu fútil tempo a fazer uma curta metragem acerca do que vêem..
Atingem-me com o olhar analista pouco discreto tentando entender.
Será que é assim tao estranho...?
Vou continuando...e cantando...
Busco a letra numa ou outra pedra que me foge ao tacão da bota...
Levo um bolso cheio de nada, uma mão vazia de tudo...
E parecem notar isso...porque me estranham e me gozam
Será que é assim tão estranho...?
Nao sabem...
Levo em mim o bolso onde cabes...o vazio que preenches mais tarde
É teu cada canto meu e, para ti, o que canto...
A musica ja vai a mais de metade...E as pessoas que me olham?
Porque me estranham?!
Passam por mim sem me saber o nome
Pescoços rodam auxiliando o olhar que me segue e me estranha...
E sem saber para onde vou ou de onde venho
Acham estranho...
Cheguei.
Sentei-me.
Pensei...
O caminho das teclas calcetadas pelo velho Joaquim?
Enfeitado com pessoas com olhos aqui e ali?
Doutoradas em apenas existir?
Ah...ja sei...toquei-o a sorrir...
sorrir...deve ser estranho...